Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 25 - A Cor da Minha Tristeza

Capítulo 25 - A Cor da Minha Tristeza

Tradução: Amme

Capítulo 25

A Cor da Minha Tristeza


Por acaso, Matthias vislumbrou Layla pela janela do carro. Ela corria pela estrada com o sorriso mais alegre que já havia visto em seu rosto. Os cabelos louros esvoaçavam ao vento.

Sem perceber, apertou mais o descanso de braço. Concluiu que ela corria ao encontro do homem que vinha em sua direção, que parecia ser Bill Remmer. Pensou em mandar o motorista diminuir a velocidade, mas mudou de ideia.

Enquanto isso, Layla alcançou o jardineiro e se lançou em seus braços de um jeito que lembrou a Matthias o canário. O jardineiro a abraçou com força. Nos braços robustos dele, Layla parecia uma menininha de novo. Tinha no rosto o sorriso mais radiante do mundo, e o jardineiro ria de bom grado. Naquele instante, o carro passou por eles.

Matthias desviou o olhar da janela e baixou os olhos para as próprias mãos, que quase haviam se estendido para agarrar o ar.

Ao olhar para elas, ainda conseguia sentir as sensações daquele dia persistindo nelas. Quase achou que ainda detectava nelas o cheiro do corpo dela.

O noivado seria anunciado em breve. Pensando nisso, Matthias sentiu uma estranha sensação de alívio enquanto o carro passava pelo portão de Arvis.



O desejo de Layla havia se realizado. Assim que o tio Bill voltou, tudo ficou bem de novo.

Agora que não estava mais sozinha, a tristeza de ter de crescer, a memória traumática do primeiro beijo, todos aqueles pensamentos confusos e assustadores haviam desaparecido. Enquanto isso, as brisas do começo e do fim do dia foram ficando mais frescas, os dias foram encurtando, e a atmosfera em Arvis foi ficando mais festiva do que nunca.

— Nem me fale. Vou fazer praticamente todos os pratos do mundo — disse a cozinheira Mona. Numa breve pausa, havia ido conversar com Bill na varanda. Sentou na cadeira ao lado da dele e começou a reclamar. — Com uma cerimônia de noivado tão luxuosa e grandiosa quanto essa, fico com medo de imaginar como vai ser o casamento.

Naquele instante, Layla voltou de ordenhar as cabras. Ao ver Mona, sorriu e acenou.

— Espera mais um pouquinho, Layla — disse Mona. — Depois de amanhã, vou te dar tanta comida gostosa que você vai enjoar. Não importa quantos convidados venham, aposto que não vão conseguir acabar nem metade do que estamos preparando. — Riu com calor.

Layla, sem perceber, levou a mão à gola da blusa. As marcas vermelhas que o duque havia deixado no pescoço ainda não haviam sumido completamente depois de vários dias. Cada vez que as via no espelho, estremecia de vergonha e embaraço.

— A cerimônia de noivado já é amanhã? — perguntou.

— "Já"? Não use essa palavra, Layla. Mal posso esperar essa... essa estupe... quer dizer, estupenda cerimônia acabar.

— Nossa, então é realmente amanhã... — Layla murmurou para si mesma. Sorrindo de novo, disse: — Bom, obrigada por me avisar, cozinheira Mona. Mal posso esperar para provar a comida! — O sorriso foi ficando ainda mais largo, numa tentativa de afastar as memórias de pesadelo que continuavam a surgir na mente. Desde o dia do incidente, o duque não havia chegado perto da floresta. Isso a deixava feliz.

— Adoro biscoito de chocolate. E bolo de framboesa também!

— Bom, temos montanhas de chocolate e de framboesa, então vou te trazer bastante dos dois! — respondeu Mona.

— Como posso retribuir?

— Retribuir? É só comer muito e continuar crescendo.

— Você acha que vou ficar tão grande quanto o tio Bill?

— Ai, Layla. Isso pode atrapalhar suas chances de arrumar marido — respondeu Mona, rindo, ao se levantar da cadeira. Bill finalmente também caiu na risada, depois de ter ficado só meneando as sobrancelhas divertido até então.

Depois que Mona foi embora, foi uma noite comum na cabana. Depois de jantar com Bill e arrumar a casa, Layla abriu um livro didático que havia negligenciado durante a ausência dele. Pretendia estudar um pouco e depois dormir, mas acabou cochilando na escrivaninha e foi acordada pelo sol nascendo pela janela. Era o dia da cerimônia de noivado do duque.

Tendo deixado os óculos sobre a escrivaninha, esfregou os olhos sonolentos e foi até a janela. Ao abri-la, foi recebida por uma lufada de ar fresco.

Conforme o sol continuava a nascer, o céu ficou de um azul brilhante e límpido que lhe lembrou aquela última bala. Enquanto pensava nisso, outro pensamento ocorreu a ela — era também a cor dos olhos do duque.



Claudine escolheu um vestido de seda adornado com chiffon. Com o vestido rosa-claro, estava elegante e bela o suficiente para ser a estrela da cerimônia daquela noite.

— Você está linda, Claudine! — exclamou a Condessa Brandt quando a filha saiu do vestiário. As criadas presentes pareciam igualmente impressionadas.

Claudine reagiu com um sorriso adequadamente modesto, embora um olhar de orgulho e satisfação permanecesse visível nos olhos enquanto se olhava no espelho.

Havia sido ideia sua realizar a cerimônia de noivado em Arvis. Em parte para demonstrar o devido respeito à família Herhardt, mas principalmente porque queria deixar sua marca como futura Duquesa de Arvis.

— Marie, ela ainda não chegou? — perguntou à criada.

Olhando pela janela, Marie respondeu: — Deve estar chegando bem agora... Ah, lá está ela! Está vindo do jardim, senhorita!

A Condessa Brandt lançou um olhar pela janela e franziu o cenho. Layla Llewellyn subia os degraus que levavam do jardim de rosas à mansão, carregando uma cesta cheia de flores.

— Você a mandou chamar de novo? Pelo amor de Deus, Claudine!

— Está bem, mãe — respondeu Claudine com calma. — Só precisava de algumas flores para adornar o cabelo.

— Por que pediu especificamente a ela?

— Achei que não custava nada — respondeu ela, dando de ombros antes de se voltar novamente para o espelho. O sorriso havia desaparecido. — Assim, posso receber flores e os bons votos de uma velha amiga ao mesmo tempo.



Com todas as preparações para a cerimônia de noivado concluídas, havia um clima de alegria festiva por toda a propriedade.

Layla entrou na mansão pela porta dos fundos reservada ao serviço. Limpou os pés minuciosamente antes de entrar, mas mesmo assim se sentia desconfortável a cada passo sobre o assoalho que brilhava como um espelho.

Claudine havia mandado uma criada à cabana para chamá-la. Quando a criada pediu que colhesse algumas rosas para o cabelo de Claudine, Layla soube imediatamente que as flores não eram o verdadeiro motivo de ter sido convocada.

Claudine estava hospedada em um quarto de hóspedes no quarto andar da ala leste da mansão. Enquanto caminhava pelo corredor na direção do quarto, foi diminuindo o passo. Os nós dos dedos ficaram brancos sob o peso da cesta de rosas. O coração disparou, e os lábios ressecaram.

Não, argumentou consigo mesma, o que aconteceu naquele dia depois de cair da árvore não foi nada mais do que um acidente lamentável. O próprio duque provavelmente pensa assim. Sim, tenho certeza. Então vai ficar tudo bem.

Finalmente recuperou a compostura bem na hora de chegar à porta. Bateu, e a porta se abriu por conta própria. Entrou, fez uma reverência educada como sempre e disse:

— Boa tarde, senhorita. Trouxe as rosas que pediu.

— O que acha? Estou bem? — perguntou Claudine, sorrindo enquanto caminhava em direção a Layla.

— Sim, senhorita. Está linda — respondeu ela. Era sincera — Claudine estava tão bela quanto uma rosa em plena floração.

— Fico aliviada em ouvir isso — respondeu Claudine. — Estava nervosa. Você acha que o Duque Herhardt também vai me achar bonita?

Layla sentiu uma onda de ansiedade à menção do duque. Depois de uma pausa, respondeu:

— Sim. Tenho certeza. — A voz tremeu levemente. Sentia-se como uma criança que havia feito algo de errado.

Embora o incidente sob a árvore tivesse sido horrível e traumático para ela, não conseguia se livrar da sensação de que agora era uma ladra descarada por causa do que havia acontecido entre ela e o noivo de Claudine. Essa sensação ia corroendo toda a autoestima que havia acumulado ao servir a Claudine ao longo dos anos.

Claudine trocou um olhar com a criada, que se adiantou para tomar a cesta de Layla, entregando-lhe dinheiro em troca. Em vez da única moeda de ouro habitual, desta vez era um punhado delas. O que só piorou o sentimento de Layla.

— O que está fazendo? — perguntou a criada, franzindo a testa para Layla. — Não vai agradecer?

Fechando a mão sobre as moedas, Layla baixou a cabeça. Havia praticado aquele gesto tantas vezes desde criança que desta vez também não foi difícil engolir o orgulho e aceitar com um sorriso.

— Obrigada, senhorita — disse, sorrindo com calma para Claudine.

Claudine, que havia estado olhando para Layla com uma expressão inexpressiva, logo lhe devolveu o sorriso.

— Não precisa me agradecer. Quem deveria agradecer sou eu, Layla. Graças a você, minha cerimônia de noivado vai ser perfeita. — Virou-se, indicando que a conversa havia chegado ao fim.

Aliviada, Layla saiu do quarto depressa. Queria sair daquele mundo estranho e desconfortável da mansão o quanto antes, mas sabia que precisava se comportar enquanto estivesse lá dentro.

Depois de ajustar as roupas e firmar o aperto na cesta, começou a caminhar na maior velocidade que a etiqueta permitia. Quando já havia percorrido quase todo o caminho até a porta dos fundos, porém, cruzou com o duque subindo as escadas.

Parado atrás dele, o mordomo Hessen sorriu com benevolência e disse:

— Vejo que voltou de um recado para a Lady Claudine, Layla.

Layla fez uma reverência, depois se afastou rapidamente para a parede do corredor e baixou a cabeça. Esperava que passassem por ela e seguissem em frente, mas o duque ficou parado, encarando-a. Ergueu os olhos por um instante, e ao perceber que ele a olhava, baixou a cabeça ainda mais e começou a corar. Havia feito contato visual. Foi só por um instante, mas agora o coração estava aos pulos. Ele não parecia preocupado, pensou. Parecia ter esquecido completamente o que aconteceu entre nós.

Bem quando começava a cogitar jogar a etiqueta pelos ares e sair correndo, o duque passou por ela e seguiu em frente. Assim que o som dos passos se dissipou, fugiu em direção à porta e para fora da mansão.

Depois disso, passou o dia fazendo as tarefas de costume. Conforme a tarde avançava, os convidados foram chegando à mansão, mas longe dali, no fundo do terreno de caça do duque, a cabana permanecia quieta, permitindo que Layla concluísse as tarefas diárias em paz.

Capinou a horta e limpou o chiqueiro das cabras, fez um ensopado para o jantar e recolheu as roupas secas do varal. Depois de terminar tudo, foi dar um passeio sozinha na floresta. Vagando sem rumo definido, logo se viu às margens do rio.

Subiu no tronco largo da árvore favorita e, acomodando-se em um galho firme, contemplou a paisagem tranquila da tarde de verão.

Era bela. Lá em cima, o céu estava salpicado de pássaros. Lá embaixo, o Rio Schulter estava tingido de vermelho pelo pôr do sol. Sobre o rio ficava a cabana, que com a pintura branca e brilhante lembrava quase um cisne. Era tudo tão belo.

Conforme o sol continuava a se pôr, o alto do céu tomou a cor de azul límpido semelhante à da última bala. Percebeu então que era também a cor dos olhos do duque. Seus olhos têm a cor da minha tristeza. Aquele pensamento a encheu de melancolia, e mesmo assim se viu dando uma risada baixa.

Naquele instante, sentiu alguém se aproximando rapidamente. Olhando para baixo, viu um rosto conhecido perto do pé da árvore.

— Kyle! — gritou radiante. — Como você sabia que eu estava aqui?

— Sei que você gosta de dar caminhadas à tarde no verão, e quando caminha sempre acaba chegando ao rio. — Não havia nenhuma malícia no olhar. Em vez disso, havia um brilho caloroso e profundo. Levemente surpresa com aquela expressão, Layla ficou olhando para ele em silêncio.

A brisa que vinha do rio sacudiu as folhas, quebrando o silêncio entre eles.

Depois de um tempo, ele disse:

— Layla?

Ela inclinou levemente a cabeça em resposta.

— Vamos nos casar — disse ele.

Aquelas palavras que soavam irreais flutuaram até ela na brisa suave da tarde. Enquanto o encarava com uma expressão vaga e sonhadora, ele se repetiu, desta vez com mais ênfase nas palavras.

— Vamos nos casar, Layla.