Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 18 - Esmeralda

Capítulo 18 - Esmeralda

Tradução: Amme

Capítulo 18

Esmeralda


Os olhos de Layla se arregalaram ao ver o conteúdo da caixa.

— Tio Bill, isso é demais — disse com a voz trêmula.

Igualmente surpreso, Bill não sabia o que dizer.

— Isso deve ter custado uma fortuna! Quanto o senhor gastou? — perguntou ela, lançando um olhar desaprovador a Bill.

— Bom, na verdade... não foi tão caro assim! Você está exagerando — respondeu ele, mal conseguindo manter a compostura.

O vestido encomendado pela cozinheira Mona para Layla havia chegado no dia da festa. Bill esperava que o carteiro o trouxesse, mas em vez disso foi entregue por um rapaz que ele presumiu ser funcionário da loja. Ao ver como o funcionário estava bem vestido, Bill começou a suspeitar que a loja escolhida por Mona era cara demais. Ainda assim, não estava preparado para o que havia dentro da caixa. Entendia pouco de moda feminina, mas até ele conseguia perceber que o vestido branco bordado a fio de ouro era extraordinariamente luxuoso e belo — assim como os sapatos, as luvas e o colar.

Espera, quanto dinheiro eu dei à cozinheira Mona? Bill começou a contar nos dedos. Não me lembro de ter dado dinheiro para um colar... As contas não fechavam, então recomeçou a calcular. Enquanto fazia isso, Layla fechou com firmeza a tampa da caixa.

— O que foi? — perguntou Bill. — Não gostou?

— Claro que gostei.

— Então qual é o problema?

— Vamos devolver. Não quero que o senhor gaste tanto dinheiro em uma roupa que vou usar só uma vez. Nem estou planejando ficar muito tempo na festa.

Apesar da garantia de Mona de que adoraria o presente, Layla estava com uma expressão de profunda preocupação.

A expressão de Bill ficou dura. — Layla, se não for com esse vestido para a festa, não quero mais te ver. Eu sei que você não quer se sentir em dívida comigo, mas não gosto que você se feche assim. — Levantou-se devagar da cadeira. — Eu sei que parece chique, mas é uma imitação barata. Gostaria de te dar tudo no mundo, mas você sabe que não posso me dar a esse luxo.

— Tio Bill...

Agora estava vermelho de raiva. — Se não vai usar essas coisas, vou usá-las como lenha para a lareira. E então não quero mais te ver, Layla. — Saiu batendo a porta da cabana. Ficou andando em volta dos canteiros de flores, fumando cigarro atrás de cigarro, até ser tomado por uma onda de arrependimento pelas coisas duras que havia dito. Por mais que estivesse chateado, sabia que não estava certo dizer que não queria mais vê-la. Enquanto cogitava voltar para dentro, Kyle apareceu de repente do outro lado da estrada, avançando em direção à cabana com seu fraque.

Bill sempre vira Kyle como um garoto imaturo tentando se comportar como adulto. Mas ao vê-lo agora, todo elegante, finalmente o enxergou como um homem.

— Boa noite, Sr. Remmer. A Layla está pronta? — perguntou Kyle, sorrindo animado.

— Que pergunta é essa?

— Como assim? Ela não está em casa? A festa vai começar...

— Ah, ela está, só que... — Bill hesitou, sem saber como explicar o que havia acontecido entre eles.

Naquele instante, a porta rangeu ao se abrir. Quando os dois homens se viraram para olhar, ficaram estupefatos com o que viram.

Layla estava ali parada, mas parecia uma pessoa completamente diferente.



— Kyle, você não acha que estou estranha? — perguntou ela, franzindo a testa. — Fico me sentindo tão sem jeito com isso, e —

— Você está bonita — interrompeu ele. Mal conseguia falar, mas disse com convicção: — Você está linda, Layla. Falo sério. — O sorriso infantil havia sumido do rosto. Estava corado. Sabia que Bill estava comprando um vestido novo para a festa, mas jamais imaginou que seria assim. Dado o chapéu de palha que Bill havia escolhido para ela antes, havia ficado preocupado com o gosto dele, mas aquilo era exuberante.

— Ei, Kyle, acorda — disse Bill, estralando a língua para o Kyle aturdido e dando-lhe uma palmada vigorosa nas costas. — Estou confiando a você a responsabilidade de acompanhá-la esta noite — disse, olhando para ele com seriedade. — Isso significa que precisa garantir a segurança dela. Está à altura da tarefa?

— Com certeza, Sr. Remmer — respondeu Kyle, encarando Bill com a mesma seriedade. — Ela está em boas mãos!

Bill explodiu em gargalhadas ao ver o rapaz corado fazendo aquele voto solene. Enquanto isso, Layla se aproximou cautelosamente de Kyle.

Kyle respirou fundo algumas vezes para se recompor, depois educadamente lhe estendeu a mão.

— O que está fazendo? — perguntou ela.

Com a mão ainda estendida, Kyle respondeu: — Vamos a uma festa. Você é minha acompanhante, não é?

— Sou.

— Então... — Reunindo coragem, tomou a mão dela e puxou-a para junto do próprio braço. — A-assim é como se supõe que andemos juntos. — A voz estava levemente trêmula de nervosismo.

Layla pensou por um instante, depois assentiu e entrelaçou o braço mais fundo no dele.

— Tudo bem. Vamos, Kyle.

Contemplando o sorriso radiante dela, Kyle pensou: Nunca vou esquecer este momento enquanto viver.



Layla Llewellyn chegou à festa acompanhada do filho do médico.

Matthias se virou enquanto recebia os convidados e de repente a viu entrar, escoltada por Kyle Ettman. Sua aparência confirmou de imediato que Hessen era um mordomo perfeito em todos os sentidos. Estava deslumbrante com as roupas e acessórios que lhe havia providenciado — e isso apesar de ser evidente que simplesmente havia vestido o conjunto sem se preocupar com maquiagem ou penteado.

O olhar de Matthias subiu devagar dos sapatos ao vestido, pousando por fim no colar que repousava sobre o colo liso. Era um colar belíssimo de pérolas e esmeraldas.

Hessen havia escolhido o restante do conjunto, mas o colar havia sido seleção de Matthias. Acontecera por acaso. A caminho de um compromisso no hotel, avistara o colar na vitrine de uma joalheria. O verde vivo das esmeraldas lapidadas com maestria o impressionara profundamente. Por isso, no carro de volta à propriedade, instruíra Hessen a comprá-lo.

Sentindo o olhar de alguém sobre ela, Layla virou a cabeça de repente. Os olhos — verdes como uma floresta de verão — pousaram diretamente no rosto de Matthias. Sem os óculos, precisou semicerrá-los para reconhecê-lo.

Enquanto Matthias permanecia impassível, Layla se encolheu e desviou o olhar. Apertou o braço do rapaz ao lado e se escondeu atrás dele.

— Há muito tempo, Duque Herhardt.

Ao ouvir uma voz conhecida, Matthias se voltou e cumprimentou o convidado sorridente, trocando algumas breves amenidades. Mesmo com a atenção em outro lugar, conseguia executar tarefas sociais como essa com perfeição.

Quando voltou a olhar para Layla, ela e o rapaz já estavam do outro lado do salão. Kyle parecia muito orgulhoso de escoltá-la, conduzindo-a pelo ambiente como se ela fosse sua.



— Esta é a Layla. É minha amiga — disse Claudine depois de levar Layla até mais um grupo de jovens damas.

— Olá, meu nome é Layla Llewellyn — disse ela, cumprindo seu papel como sempre com uma reverência educada. Não demonstrava vontade nem emoção próprias — era como se fosse a boneca de Claudine.

O sorriso de Claudine se alargou enquanto continuava a apresentar Layla, dizendo às damas que, apesar das dificuldades que havia enfrentado, era muito bondosa, inteligente e virtuosa. — A Layla está estudando para ser professora. Não é admirável?

As damas reagiram com encanto e começaram também a elogiar e admirar Layla. Claro que o verdadeiro objeto de elogios e admiração não era Layla, mas sim Lady Claudine por ser tão gentil a ponto de tratar a pobre órfã como amiga. Todas sabiam que Claudine e Layla nunca poderiam ser amigas de verdade — mas isso não era razão para condenar Claudine por dizê-lo.

— Ah, Claudine, ouvi dizer que em breve vai se novar — disse uma das damas, mudando elegantemente de assunto quando já se havia dito o suficiente sobre a órfã que seria professora.

O interesse de todas migrou imediatamente para o noivado de Lady Claudine.

Claudine assumiu uma postura modesta e humilde. Sabia que seria inadequado se comportar como se já fosse a Duquesa Herhardt antes mesmo de o noivado ser anunciado formalmente.

— Olha, o Duque Herhardt! — exclamou uma dama do outro lado do grupo.

Todas se voltaram na direção indicada.

Layla, que vinha mantendo um sorriso educado enquanto Claudine a levava de grupo em grupo, também olhou com os olhos arregalados.

Matthias passou por Layla e parou ao lado de Claudine, que lhe enlaçou o braço com naturalidade. O rosto de Layla estava visivelmente mais pálido do que antes enquanto os observava pelo canto do olho.

— Duque Herhardt, estas são minhas amigas — disse Claudine.

Matthias cumprimentou cada uma das damas com graça enquanto Claudine as apresentava. O olhar então pousou em Layla, que estava na borda do grupo.

— Esta é a Layla — disse Claudine, apertando levemente o braço de Matthias. — Aposto que não a reconheceu. Ela está tão diferente do normal que eu mesma mal a reconheci.

Layla corou de vergonha com o elogio envenenado de Claudine. Normalmente não se abalava facilmente com insultos ou críticas, mas era diferente quando estava perto de Matthias.

Um silêncio desceu sobre o grupo, logo quebrado por uma voz calorosa:

— Com licença.

Era Kyle. Depois que Claudine havia retirado Layla dele, ficara rondando o grupo com uma expressão de desaprovação no rosto.

— Desculpem a interrupção, mas posso levar minha acompanhante de volta? — Sem hesitar, estendeu a mão e segurou a de Layla.

Layla pareceu levemente surpresa, mas não afastou a mão. Ao contrário, pareceu aliviada, como uma criança perdida que acabara de encontrar os pais.

— Meus amigos também estão ansiosos para conhecê-la — acrescentou Kyle. O tom afável contrastava fortemente com o olhar frio que lançou a Claudine.

— Não tenho como dizer não. A Layla não é só nossa — disse Claudine com um aceno, lançando um olhar para Matthias.

Matthias olhava para Layla e Kyle com o rosto inexpressivo.

— Obrigado, Lady Claudine. E obrigado também, Vossa Graça — disse Kyle, fazendo uma reverência cortês. — Vamos, Layla. — Só quando fez contato visual com Layla é que o sorriso surgiu. Aquele sorriso caloroso e terno deixou algo claro para Claudine: ele amava Layla.

Era quase tão alto quanto Matthias. Com ele ao lado, Layla parecia ainda menor e mais esguia do que de costume. Era evidente que a tratava como um tesouro.

Mas o que a Layla sente por ele?, perguntou-se Claudine, observando-a de perto.

Layla sorria para Kyle. Claro que também sorria na presença de Claudine. Mas era a primeira vez que Claudine via aquele sorriso tão radiante e sereno em seu rosto. Era o sorriso de alguém apaixonado — não havia outra forma de descrevê-lo.

Então está apaixonada pelo filho do médico, não pelo Duque Herhardt? E será que é também por causa dele que vem se comportando como uma princesa?

Enquanto Claudine ruminava esses pensamentos confusos, Layla e Kyle viraram para ir embora. Naquele instante, Claudine gritou por impulso:

— Ah, Layla!

A luz do lustre desceu sobre Layla.

— Queria dizer — continuou Claudine — que você está muito bonita esta noite. Especialmente com esse colar.

— Como? Ah... sim. Obrigada, senhorita — respondeu Layla, tocando o pescoço sem jeito.

O colar longo valorizava sua beleza de maneira exuberante. As esmeraldas tinham exatamente o mesmo tom de verde dos olhos dela, e cada uma estava cercada por pequenas pedras que pareciam ser diamantes impecáveis, dispostas em padrão de pétalas de flor. As pérolas delicadas e brancas como leite eram ornadas de maneira igualmente primorosa. As pedras preciosas eram belas e perfeitas demais para serem falsas.

Claudine sabia que o pai de Kyle Ettman era relativamente abastado, mas seria possível que o filho de um simples médico conseguisse comprar um colar assim para Layla?

— Não acha, Duque Herhardt? — perguntou Claudine a Matthias, sorrindo.

Sem hesitar, Matthias respondeu:

— Sim, de fato. — O rosto estava sereno.