Tradução: Emma
Capítulo 79
— Então, acho que a melhor saída é destruir a minha reputação. Melhor ainda se eu engravidar e ninguém souber quem é o pai. Eu pretendia manter isso em segredo, mas… Estou pensando em espalhar boatos envolvendo alguns outros homens também.
— …O quê?
— Você disse que tentaria me manter fora disso. Então fiquei pensando em um plano que realmente funcionasse.
Os olhos de Vanessa se arregalaram, como se perguntassem se ele havia esquecido aquela conversa. Claro, ela jamais acreditara que ele estivesse falando sério. Aquilo parecia praticamente impossível. Presumiu que fosse apenas uma tentativa de convencê-la e, para ser sincera, nem voltará a pensar no assunto. Afinal, para o Duque de Battenberg, apagar o nome de "River Ross" dos boatos não seria difícil.
— No próximo piquenique, vou desaparecer por um tempo com o maior número de homens que conseguir. Não vou fazer nada de verdade, só o suficiente para que as pessoas acreditem que fiz.
— ….
— Homens adoram transformar qualquer envolvimento com uma mulher bonita em uma história heroica. Se eu ficar calada, eles mesmos vão se gabar, e todos acreditarão. E, se a verdade vier à tona mais tarde, tecnicamente também não será mentira.
Uma risada incrédula escapou dele. Nunca conhecera uma mulher que se chamasse de bonita com tanta naturalidade. Mas, naquele caso, ela apenas dizia a verdade, então não havia do que zombar.
— Quando os rumores sobre minha gravidez começarem a circular, você provavelmente será citado como um dos possíveis pais. Quanto mais homens estiverem envolvidos, mais rápido as pessoas perderão o interesse. Depois direi que sofri um aborto espontâneo e então… — Vanessa hesitou, como se ponderasse se deveria continuar. Uma brisa repentina atravessou o silêncio entre eles. — …Se der certo, estarei livre. Ou, pelo menos, acabarei casada com alguém que não seja obcecado por pureza.
Enquanto contemplava as estrelas, o perfil de Vanessa parecia delicado, quase frágil o bastante para se partir. Havia um estranho alívio em sua expressão, como se finalmente tivesse colocado em palavras algo que carregava há muito tempo. Só então Theodore percebeu o peso que ela suportava. Sua recusa obstinada em arrastar outras pessoas para a própria infelicidade. Sua convicção, ao mesmo tempo admirável e profundamente distorcida. E a dolorosa certeza de que todo aquele plano existia apenas para garantir que, no fim, a única pessoa a se quebrar fosse ela.
— Então esse é o seu novo plano? Se aproximar do maior número possível de homens?
— Hã?
— E se alguma coisa realmente acontecer enquanto você estiver fazendo isso?
— Ah, não tem problema. Vou pedir para o Blair ficar por perto e vir me procurar depois de um tempo.
Theodore passou a mão pelos cabelos já desalinhados, frustrado. Uma inquietação difícil de explicar apertou seu peito. Ele já não sabia se aquele incômodo vinha do nome desconhecido que ela mencionara ou da imprudência daquela mulher. Vanessa era meticulosa ao traçar seus planos, mas completamente incapaz de prever as consequências. Talvez tivesse perdido o juízo. Ou talvez ninguém fosse capaz de ser tão cruel consigo mesmo sem antes ter enlouquecido um pouco.
— De qualquer forma, eu me diverti muito hoje. Obrigada pelas lembranças maravilhosas, River.
Vanessa tornou a se espreguiçar e voltou-se para ele com um sorriso radiante. Era um sorriso tão luminoso que parecia apagar, por um instante, todas as complicações de sua vida.
— Acho que vou me lembrar deste dia até morrer.
Sem conseguir desfazer o nó preso em sua garganta, Theodore deixou escapar uma risada quase por reflexo. O som era vazio, amargo e, ao mesmo tempo, estranhamente doce, como o perfume limpo de sabonete que sempre parecia envolvê-la.
— Mentirosa.
— É verdade. Você sempre me chama de mentirosa quando digo alguma coisa.
— Daqui a alguns anos, nem vai mais lembrar do meu rosto.
— …Como eu poderia?
— Já esqueceu como era o River Ross da nossa infância.
O rosto de Vanessa corou até adquirir um tom vivo de carmim. Ela afastou uma mecha de cabelo para trás da orelha e lançou um olhar tímido para ele.
— Há quanto tempo… Você sabe?
— Desde o começo.
— É difícil de acreditar, mas…Eu me lembro… Vagamente…
— Então me diga.
— Ele tinha cabelos pretos.
— Digamos que isso esteja certo.
— E olhos azuis.
— Mentirosa.
— Seus olhos estão bem na minha frente. Como isso pode ser mentira?
Ele acabou rindo da expressão descaradamente inocente dela. Ao mesmo tempo, sentiu um ardor suave tomar seus olhos, como se as lágrimas estivessem prestes a surgir.
