Jardim de Maio [Novel]

A herança de Vanessa, após a morte de seus pais, era uma montanha de dívidas e um casamento arranjado. Seu tio ganancioso a vendera avidamente para ser a mais recente noiva de um conde idoso. Para romper o noivado, ela precisava de um escândalo. Um escândalo verdadeiramente terrível, que absolutamente arruinará sua reputação, *** “Vanessa.” “…” "Acha sua vida tão tediosa assim?”, perguntou ele, incrédulo, “Para escolher desperdiçá-la se envolvendo com alguém como eu?”

Capítulo 60

Capítulo 60

Tradução: Gheo

Capítulo 60


– Você está pedindo para se meter em problemas.

– Mas o tempo está tão bom que é impossível ficar dentro de casa.

– Muito bem, então.

– Sério? Você vai comigo?

Vanessa olhou para ele, momentaneamente sem palavras. Ela frequentemente se pegava em um estranho devaneio quando estava com ele. Antes, não entendia o porquê, mas agora achava que tinha um vislumbre de compreensão. Ele a tratava como uma mulher comum.

Como se ela também tivesse a liberdade de escolher, de ver o que quisesse e de ir aonde bem entendesse, sem precisar de permissão.

– Preciso me refrescar.

Soltando os cabelos dela, River Ross se virou. Passou a mão pelos cabelos úmidos, como se a umidade deixada pelo resfriamento do corpo agora o incomodasse. Uma gota de suor escorreu pela nuca, desaparecendo sob a gola da camisa.

Vanessa engoliu em seco. Seria calor ou desejo?

Às vezes, River Ross era de uma beleza estonteante. Principalmente assim, quando deixava transparecer a vitalidade de seu corpo jovem, sucumbindo ao calor e ao desejo como qualquer mortal, mantendo, ao mesmo tempo, sua compostura serena em pleno verão. Ela se sentia particularmente atraída por esses momentos de vulnerabilidade.

A vontade de deslizar as mãos por baixo da camisa dele, de esfregar as palmas contra sua pele quente e firme, era um tormento constante e poderoso. Ela ansiava por tocá-lo, por sentir a vibrante força vital que pulsava dentro dele.

– Vanessa. Seus olhos são... predatórios. Como se quisesse me devorar por inteiro.

– Quando foi que eu...

Sua tentativa de negar vacilou, traída pelos próprios pensamentos. River Ross deu uma risadinha, bagunçou sua franja e passou por ela. Atravessando o cômodo, ele pegou água de uma bacia de latão e jogou no rosto, refrescando a pele aquecida pelo sol.

Vanessa observava, gravando a imagem em sua mente: as linhas suaves de suas bochechas, a curva úmida de seus cílios, as gotas que se agarravam aos seus lábios. Ele passou a mão pelos cabelos molhados, com as veias salientes visíveis sob a pele, depois cruzou os braços e tirou a camisa úmida.

A luz do sol banhava seus ombros fortes e suados com um brilho avermelhado. Seus músculos, aquecidos como ferro recém-saído da forja, ondulavam a cada movimento.

– Senhora Luter, acredito que esse método seja uma forma de engano.

A lembrança da noite anterior pairava sobre ela como uma névoa. A lembrança de estar cercada por pessoas mais próximas da morte do que da vida.

– Peço desculpas se soou ofensivo. Por favor, entenda que tive pouco tempo para escolher minhas palavras.

O Conde confiava o suficiente em Madame Luter para nos deixar em paz, mas ficaria desconfiado se demorássemos muito.

– Vejo que não confia em mim, senhorita.

– Eu sei que você estava apenas tentando me assustar.

Naquele instante, o brilho nos olhos da velha senhora pareceu um vislumbre de desprezo por algo tão descarado e grosseiro.

– Água benta misturada com sangue pode até parecer convincente, mas é apenas água. No fim das contas, é a consciência que prova a inocência. Se for inocente, sua mão não tremerá; mas, se tiver algo a temer, ela vai tremer. E, se for este o caso, tudo o que colocar nela certamente irá derramar.

– Não entendi muito bem o que você está tentando dizer.

– O Conde já está lá fora e confia muito na senhora. Independentemente de eu derramar a água benta ou não, pode inventar a história que quiser. O que eu quero, na verdade, é comprar o seu silêncio.

Após um breve silêncio, Madame Luter soltou uma gargalhada clara.

– Parece que metade dos boatos a seu respeito são falsos, senhorita. Disseram-me que você era ingênua.

– Então, quanto vai custar?

Vanessa se obrigou a manter a calma, camuflando a ansiedade. Em qualquer negociação, o lado mais desesperado sempre perdia, exatamente como aconteceu quando implorou por um acordo a River Ross.

– Depende do que você quer. Mudar algumas palavras não custa nada, mas uma mulher como eu depende da própria reputação para viver.

Apesar da sua resposta descarada, o preço que Madame Luter mencionou não era exorbitante. Não exigiu uma mentira elaborada, e o olhar da velha senhora no último instante fora de piedade.

– Entre em contato comigo caso venha a engravidar. Eu lhe direi como se livrar discretamente.

Vanessa pagou o preço de bom grado; ela só precisava evitar o assunto até o fim do verão. Uma verdade que antes teria confessado abertamente ao Conde, que ele talvez até tivesse apreciado, agora ela se via compelida a esconder desesperadamente. Porque...

– Vanessa.

Seus pensamentos dispersos cessaram abruptamente. Uma mão firme ergueu delicadamente seu queixo. River Ross, agora bem ao seu lado, inclinou-se, com a mão apoiada no encosto da cadeira dela.