Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 49 - Como as Asas de um Pássaro

Capítulo 49 - Como as Asas de um Pássaro

Tradução: Amme

Capítulo 49

Como as Asas de um Pássaro

— Esse penteado não combina com você — disse o duque.

Layla ficou desconcertada com o comentário. Levou um momento para processar o que ele havia dito. Quando processou, sentiu ainda mais confusão. Por que faria tal observação do nada? — Sim — respondeu em tom frio. — Sei que meu cabelo está um pouco... despenteado agora.

— Um pouco? — retrucou ele, olhando-a de cima a baixo.

Ela apertou com mais força o guidão da bicicleta, reprimindo a vontade de fugir. Mas não conseguia conter a raiva que brotava por dentro.

Sentiu vergonha de notar as bochechas começando a esquentar.

— Podia simplesmente usar o cabelo solto — disse ele.

— Queria, mas me disseram que não seria adequado para uma professora.

— Quem disse isso?

— A diretora. — Sentia o rosto ficando cada vez mais quente, então por fim desviou o olhar do duque. O silêncio que se seguiu a deixou ainda mais sem jeito, então continuou: — Aparentemente pareço jovem demais, então para manter minha autoridade como professora devo evitar penteados que me façam parecer aluna.

Ouviu o som do duque dando uma risadinha em meio ao som da brisa, mas não se virou para olhá-lo. Agora as orelhas também estavam quentes. Tinha certeza de que devia estar ridícula.

— Está dizendo que esse coque despenteado deveria lhe trazer autoridade como professora...? — perguntou ele sarcasticamente. Olhando para ela de cima, ficou satisfeito ao ver uma expressão contida que sugeria que o orgulho havia sido atingido.

— Estou praticando muito para prender o cabelo todos os dias, então tenho certeza de que vou melhorar em breve.

Ela nunca cede, não é? Ele deu uma risadinha. — Hmm, você acha?

— Acho. Se descobrir que não consigo melhorar, vou cortar o cabelo curto.

— Cortar curto? — perguntou ele. O sorriso desapareceu e os olhos se estreitaram.

Ela assentiu solenemente à pergunta abrupta. — Sim. Isso me faria parecer muito mais madura, e...

— Não corte — disse ele com calma.

Desconcertada com o que havia acabado de ouvir, ela o olhou e perguntou com irritação: — O senhor acha que preciso da sua permissão para cortar ou deixar crescer meu cabelo?

— É bonito — respondeu ele com gentileza.

Ela mal podia acreditar. Ficou olhando para ele, e ele olhou de volta, parecendo completamente calmo.

— É como as asas de um pássaro.

A voz soava exatamente igual a quando a insultava.

Refletindo sobre isso, percebeu que ele sempre havia falado em um tom suave e gentil, mesmo ao dizer coisas que a magoavam. Isso a fez recordar o dia em que se conheceram. Mesmo naquele dia de verão tantos anos atrás, quando havia ficado aterrorizada depois de quase ter sido alvejada por ele, a voz era quieta e gentil, igualzinho a agora.

Lembrou com vivacidade de ter descido da árvore freneticamente, corrido de volta para a cabana e gritado para Bill em voz de pânico: — Tem alguém na floresta! Um homem alto! Tinha cabelo preto e olhos azuis, a voz era macia como pena de pato.

Naquele momento de pânico, enquanto se apressava a encontrar palavras para descrever a voz do duque, a primeira coisa que havia lhe ocorrido foi pena de pato — aquelas penas macias e iridescentes que colecionava como se fossem pedras preciosas espalhadas à beira do Rio Schulter.

Desviou os olhos de novo rapidamente. Teria preferido que ele simplesmente dissesse algo cruel. Era esse o Duque Herhardt que conhecia — um homem assustador, imponente e desprezível.

Continuou esperando, mas ele não disse mais nada. Em vez disso, simplesmente continuou a caminhar, olhando para a estrada coberta de folhas. Ela começou a se perguntar se o estranho elogio que achava ter ouvido havia sido imaginação.

Passou a mão pelo cabelo, que havia continuado a se desfazer, depois sacudiu a cabeça, franzindo a testa. Por ter tirado as mãos do guidão, a bicicleta começou a oscilar. Tentou agarrar o guidão de novo, mas era tarde demais; a bicicleta caiu, arrastando-a junto.

O som da bicicleta caindo e do grito dela ecoou pela estrada silenciosa.

Matthias olhou para trás para a cena ridícula, franzindo levemente o cenho. Ao ver Layla presa sob a bicicleta, não conseguiu evitar uma risadinha. — Você parece cair muito — disse.

Ela mordeu o lábio. Sentia-se humilhada, e ainda assim, ao mesmo tempo, aliviada. Esperou em silêncio que ele a ridicularizasse e fosse embora.

Mas em vez disso, ele simplesmente levantou a bicicleta para ela em silêncio. Depois caminhou até onde a bolsa havia caído, recolheu-a, voltou e se agachou na frente dela.

Antes que pudesse pegar mais algum objeto espalhado, ela arrebatou a bolsa das mãos dele e disse: — Não. Eu pego essas coisas.

Ele ergueu as sobrancelhas diante da hostilidade aberta dela.

— Eu... pego o resto — murmurou ela. Baixando os olhos, começou a recolher o que havia deixado cair.

Ele notou que as mãos dela tremiam, embora não tivesse dito nada para assustá-la.

Ficou irritado, mas decidiu continuar a observá-la. Ao notar as bochechas e o pescoço corados, ocorreu-lhe que as mãos podiam estar tremendo de embaraço, e não de medo.

Isso não seria tão ruim.

Ficou de pé de novo. Sob a sombra comprida dele, ela continuou a recolher apressada tudo o que havia deixado cair. Percebeu o quanto estava perturbada quando viu que havia distraidamente recolhido também algumas pedrinhas e folhas soltadas. Aquilo dissipou toda a irritação que havia sentido.

Depois de pegar tudo e guardar na bolsa, ela se levantou e o encarou. Parecia ter esquecido as manchas de terra nas roupas e nas mãos.

— Sei que é indelicado, Vossa Graça, mas... — Os olhos alternavam entre ele e o portão da mansão mais à frente na estrada. — ...mas se for indelicado caminhar à sua frente, vou esperar o senhor passar primeiro.

Não queria mais caminhar com ele. Mesmo ao dizer essas palavras ousadas, havia um olhar ansioso e inquieto nos olhos.

Apesar da atitude irritante, ele prontamente concordou com o pedido. Sabia que de qualquer forma não poderiam caminhar juntos depois do portão.

— Pode ir — disse.

— Eu? Posso ir primeiro? — perguntou ela, parecendo surpresa.

Ele assentiu.

Parecendo aliviada, ela inclinou a cabeça. — Obrigada, Vossa Graça.

Ele se sentiu quase insultado pela atitude educada que ela havia adotado de repente.

Ela começou a caminhar na frente. Antes de voltar para a bicicleta, olhou para trás na direção dele. Apesar da gentileza que ele havia demonstrado, ainda se sentia desconfiada. Inclinou a cabeça para o lado, estreitou os olhos, inclinou mais um pouco, depois por fim subiu na bicicleta e foi embora.

Talvez eu devesse ter simplesmente a feito chorar, pensou ele, sentindo um leve arrependimento. Logo depois, com uma expressão relativamente satisfeita, começou a caminhar.

Naquele instante, notou uma caneta reluzente na estrada. Com um gesto gracioso, se abaixou e recolheu a caneta que ela havia deixado cair ao cair. Ela ainda estava próxima o suficiente para ouvi-lo se tivesse escolhido chamá-la, mas não sentiu vontade de fazer isso.

Girando a caneta entre os dedos longos, passeou pela estrada. Pedalando rapidamente, ela logo passou pelo portão de Arvis e sumiu de vista.



— O pássaro chegou de novo — disse Mark Evers, sorrindo. Matthias não precisou se virar para olhar pela janela e saber de qual pássaro ele falava — Phoebe. Era o horário habitual de visita daquele pássaro que era muito mais esperto e obediente do que a dona.

Sentado em uma cadeira perto da lareira, Matthias assinou o último documento, encerrando o trabalho do dia. O assistente recolheu os documentos e saiu, deixando-o sozinho na sala de estar.

Recolocou a tampa na caneta-tinteiro e olhou pela janela. Como de costume, Phoebe estava pousada no corrimão, bicando animada a ração.

Matthias deslocou o olhar do pássaro para a caneta esguia na própria mão. O nome da dona da caneta estava gravado na tampa em letras douradas: Layla Llewellyn.

Parecia nova, e não parecia o tipo de coisa que ela mesma teria comprado. Talvez fosse um presente do jardineiro. Esperava que fosse. Se fosse um presente de Bill Remmer, ela faria qualquer coisa para recuperá-la.

Ela provavelmente estava percebendo agora que havia sumido.

Contemplando a caneta, retirou a tampa de novo.

Talvez valesse a pena fazer um gesto cavalheiresco para a mulher que o havia elogiado como o maior cavalheiro de Karlsbar. Além disso, era hora da pomba pagar por toda a ração que havia comido.

Escreveu uma mensagem curta em uma tira pequena de papel. Dobrando o papel, foi até a varanda. O pombo ficou imóvel enquanto ele amarrava o bilhete à pata. Matthias deu uma risadinha ao pensar no contraste entre aquele pássaro calmo e o jeito frenético com que a dona havia pedalado para longe.

Assim que o bilhete foi amarrado com segurança, jogou o pássaro para o alto, e ele imediatamente começou a voar direto para a cabana.



Phoebe chegou bem quando a noite caia. Layla estava sentada distraidamente na escrivaninha vazia quando ouviu um som de bicadas na janela. — Phoebe!

Jogou rapidamente um xale nos ombros e se levantou.

Quando abriu a janela, uma brisa gelada entrou. — Você deve estar com fome. Vou buscar uma ração gostosa... hein?

Os olhos se arregalaram ao ver o bilhete amarrado à pata de Phoebe.

Achando que estava vendo coisas, esfregou os olhos, mas havia definitivamente um bilhete. Era algo que não havia acontecido, que não poderia ter acontecido, desde que Kyle havia partido.

— Kyle...? — sussurrou ela, mesmo sabendo que era impossível que Kyle tivesse mandado o bilhete.

Depois de olhar fixamente para a pata de Phoebe por um momento, desatou o barbante com mãos trêmulas e desdobrou o bilhete. Ao ler a frase única, a expressão no rosto mudou instantaneamente da curiosidade para o desânimo.

Ela sufocou uma exclamação e deu um passo para trás. O bilhete escorregou dos dedos e esvoaçou até o chão na frente da janela.

Olhando para o bilhete, deu mais um passo para trás, e mais um, até bater na cômoda atrás.

— Não pode ser — murmurou com voz trêmula.

Começou a procurar apressada dentro da bolsa, mas não conseguiu encontrar a caneta. Ficou ainda mais perturbada ao encontrar várias pedrinhas e folhas que haviam acabado lá dentro de alguma forma.

Sem mais como negar o que havia acontecido, voltou cambaleando até a janela. Recolheu o bilhete com uma mão tão pálida quanto o luar. Leu mais uma vez.

Cadê sua caneta, Layla?

Ela gemeu e agarrou os próprios cabelos. — Não pode ser. Não pode ser — murmurou, mas sabia que era inútil negar.

Enquanto isso, Phoebe, bem alimentada pelo duque, arrulhava tranquilamente na pálida luz da lua de outono.