Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 36 - E Daí?

Capítulo 36 - E Daí?

Tradução: Amme

Capítulo 36

E Daí?

Hessen entrou no escritório pouco depois de o assistente de Matthias ter saído.

— O senhor me chamou, Vossa Graça?

— O que aconteceu com o ladrão que roubou o dinheiro do Bill Remmer? — perguntou Matthias. Ainda havia traços de riso na voz.

— Os policiais vasculharam o local, mas até agora não conseguiram encontrar nenhuma evidência ou testemunha ocular.

— E quanto à matrícula de Layla Llewellyn?

— A Duquesa-viúva Herhardt disse que pretende cobrir os custos da matrícula se o ladrão não for pego, e a Lady Claudine disse que sente o mesmo. O Dr. Ettman também está disposto a cobrir os custos, como estava desde o início.

Era a resposta que Matthias esperava. Assentiu, depois voltou a dar uma risadinha e baixou os olhos para a pasta.

Linda Ettman era a mente por trás do roubo. Havia chegado a essa conclusão com base nas informações contidas no dossiê sobre aquele homem tolo que havia encontrado na manhã do incidente. Na superfície, a Senhora Ettman havia parecido ter aceito a escolha de parceira matrimonial do filho. Mas parecia que em segredo era muito mais ameaçadora e tenaz do que aparentava.

Claro que a verdadeira natureza do coração dela não lhe interessava.

O que lhe interessava era Layla Llewellyn, que não sabia de nada mas agia como se soubesse de tudo. Será que devo começar a chamá-la de tola?

Interpretando o silêncio de Matthias como oposição, Hessen começou a dizer:

— Se por acaso o senhor sentir de forma diferente, Vossa Graça —

— Não — disse Matthias, cortando-o. — Respeito os desejos da minha avó. Não me oponho.

Ao dar aquela resposta, Matthias tinha certeza de que Linda Ettman havia considerado essas possibilidades ao planejar o esquema.

O peão que havia contratado pode ter sido de pouco destaque, mas o plano como um todo era cuidadoso e sistemático. Ela certamente sabia que havia muitas pessoas que se adiantariam para cobrir o custo da matrícula, incluindo o próprio marido.

Então qual era seu objetivo real? Esfregando o queixo, Matthias se perdeu nos próprios pensamentos. Se Linda sabia que tirar o dinheiro da matrícula não impediria Layla e Kyle de irem para a faculdade juntos, qual era o sentido de causar todo aquele alvoroço?

Um sorriso sombrio se abriu no rosto de Matthias. Sentia-se como se estivesse tentando resolver um quebra-cabeça fascinante.

— Mande alguém seguir a Senhora Ettman — disse a Hessen, cruzando as pernas. Já não ria mais, mas a voz soava gentil.

— A Senhora Ettman? A esposa do Dr. Ettman, o médico da família?

— Isso. Linda Ettman. A esposa do médico.

O tom extremamente casual da resposta de Matthias deixou Hessen ainda mais desconcertado.

— Há uma coisa que preciso que me relatem — disse Matthias, sorrindo suavemente enquanto recostava o corpo cansado no sofá. — Preciso saber se a Senhora Ettman encontrar Layla Llewellyn sozinha, e se isso acontecer, preciso saber o que conversarem.



A polícia voltou a Arvis na manhã seguinte. Em vez de ir direto à cabana, desta vez foram primeiro à mansão.

Por coincidência, Matthias estava descendo a escadaria do salão principal justamente quando chegaram.

— Bom dia, Vossa Graça. Lamento incomodá-lo com uma visita nessa hora — disse o homem de cabelos grisalhos que liderava o grupo de policiais.

Matthias parou no centro do salão. Claudine e os assistentes pararam alguns passos atrás.

Hessen se aproximou de Matthias e sussurrou:

— Querem continuar a busca por testemunhas oculares.

Matthias assentiu prontamente.

— Claro. Façam o que for necessário.

— Obrigado, Vossa Graça — disse o oficial à frente, inclinando a cabeça com cortesia. Imediatamente, todos os oficiais mais jovens atrás dele se inclinaram também.

Quando Matthias estava prestes a continuar o caminho, o oficial grisalho se aproximou e disse:

— A propósito, Vossa Graça...

Matthias virou a cabeça e o olhou com um rosto calmo.

Depois de um momento de hesitação, o oficial perguntou:

— O senhor chegou a ver algum desconhecido na propriedade na manhã do incidente?

Matthias se virou devagar para encará-lo.

Vi sim, pensou — mas em vez de dizer isso, simplesmente esboçou um sorriso gracioso. Considerou o que poderia fazer por Layla. Deveria revelar o esquema da Senhora Ettman de bloquear o casamento do filho explorando o primo desesperado?

Enquanto Linda tivesse feito apenas isso contra Layla, ainda seria possível impedir que o pior acontecesse. Provavelmente haveria um alvoroço, mas logo se dissiparia. E como o Dr. Ettman e o filho eram tão determinados, Matthias tinha certeza de que o casamento acabaria acontecendo. Nesse ponto, a Senhora Ettman certamente desistiria.

E então... Matthias ergueu devagar os olhos para as luzes do lustre. Então, tendo recebido um golpe de sorte único na vida, Layla viveria feliz para sempre.

Como ela e o filho do médico se mudariam para Ratse depois do casamento, a Senhora Ettman não conseguiria se meter na vida dos dois com muita facilidade. O filho do médico se tornaria um marido amoroso e dedicado, e Layla poderia se dedicar aos estudos tanto quanto quisesse. Era bastante inteligente, então talvez se tornasse até uma estudiosa renomada.

Matthias deslocou o olhar das luzes do lustre para o brasão da família além delas.

Claro que poderia encontrar uma solução ainda melhor, se estivesse disposto a se dar ao trabalho. Poderia se reunir com Linda Ettman antes de ela encontrar Layla. Quando dissesse a ela que havia desvendado todo o plano, ela desistiria em silêncio, na esperança de preservar algum resquício de dignidade.

Sim. Isso também minimizaria a dor que Layla teria de suportar.

Voltou o olhar para o policial, que parecia nervoso, talvez interpretando o silêncio como uma repreensão pela indelicadeza anterior.

Matthias sabia muito bem o que tornaria Layla feliz. E fazer aquilo por ela seria tão simples quanto um estalar de dedos para ele.

E daí? O sorriso voltou aos lábios. Como a sua felicidade vai me ajudar, Layla? Só vou ficar com um monte de rosas floridas e sem Layla. Isso seria uma rachadura na minha vida perfeita.

Olhando novamente para o oficial, respondeu com frieza:

— Não, não vi nenhum desconhecido.

Os funcionários de Arvis que estavam por perto soltaram um suspiro de alívio.

— Entendo. Bem, obrigado pela compreensão e cooperação, Vossa Graça. Lamento ter ocupado seu tempo assim, mas é importante ser minucioso.

Matthias assentiu.

Encorajado pela atitude cooperativa de Matthias, o oficial se voltou também para Claudine.

— A senhorita viu alguma pessoa desconhecida naquela manhã?

— Não — respondeu ela prontamente. — Infelizmente também não tenho nenhuma informação útil para o senhor. — Lançou um olhar a Matthias antes de sorrir para o oficial.

Matthias continuou o caminho, encerrando a situação tensa. O oficial foi interrogar os funcionários, enquanto Matthias saiu e entrou no carro que aguardava na frente.

Claudine se aproximou da janela do carro e perguntou:

— Não esqueceu dos nossos planos, pois não?

Tomariam chá juntos e depois se encontrariam com Riette para jantar.

— Claro que não, Lady Claudine.

Ela sorriu satisfeita com a resposta.

O carro partiu imediatamente. Enquanto deixava a propriedade e passava pela estrada que levava à casa do médico, ele olhou pela janela em silêncio.

Queria dar à Linda mais diversão do que ela havia esperado. Seria um pagamento justo por toda a ajuda e a paciência dela.



Linda colocou um vestido de lavanda respeitável. Havia se maquiado pouco, e o chapéu que escolheu era elegante mas simples. Tentava alcançar o equilíbrio certo para não parecer nem extravagante nem desleixada. Depois de verificar mais uma vez a aparência no espelho, saiu do quarto com calma.

Havia decidido ir a pé e de diligência em vez de usar a carruagem da família naquele dia. Queria estar em algum lugar longe de olhos indiscretos. Com isso em mente, havia passado pessoalmente pela cabana para convidar Layla, e havia escolhido o local do encontro com cuidado também.

Enquanto esperava na parada da diligência, começou a se perguntar se realmente deveria levar o plano adiante. Bem, já comecei. Não há como voltar atrás agora. Preciso ir até o fim. Pelo Kyle.

Enquanto se enchia de determinação, a diligência chegou. Soltou um suspiro silencioso e entrou. Estava disposta a fazer qualquer coisa pelo Kyle.

Mesmo que significasse se tornar uma vilã.



A salão de chá para onde a Senhora Ettman havia convidado Layla ficava em uma rua pequena, a uma distância razoável do centro da cidade. Tendo chegado cedo, Layla sentou-se a uma mesa perto da janela, esperando pela Senhora Ettman.

A rua lá fora parecia estreita demais até para uma carruagem passar. Do outro lado havia prédios de tijolos cobertos de hera e musgo, incluindo algumas lojas antigas e surradas.

O próprio salão de chá era igualmente simples. O toldo e a pintura da vitrine estavam rachados e desbotados, e as toalhas de mesa tinham manchas de chá. Não parecia o tipo de lugar que a Senhora Ettman apreciaria.

Então por que o havia escolhido?

Layla estava intrigada, mas decidiu não pensar demais. Sabia que isso só a deixaria mais ansiosa e nervosa. Já havia estado tensa desde o roubo, e não queria aumentar as preocupações.

Ela provavelmente só queria um lugar menos movimentado onde pudéssemos conversar sem distrações. Tenho certeza de que tem muito a discutir, e...

Seus pensamentos foram interrompidos pelo tilintar do sino da porta quando alguém entrou no salão de chá. Pensando que era a Senhora Ettman, levantou-se de um salto — mas viu que era um jovem cavalheiro elegantemente vestido com um chapéu fedora. Sentou-se a uma mesa do outro lado do salão e abriu um jornal.

Ela voltou a se sentar e ficou olhando para as manchas de chá na toalha de mesa.

Havia ido novamente à delegacia naquele dia, mas não havia nada de novo a relatar. Disseram que como não havia testemunhas nem evidências, seria difícil pegar o ladrão. Um dos policiais, olhando para ela com pena, lhe dera um conselho — disse que em vez de se agarrar a esperanças vazias, seria melhor encontrar alguém que pudesse emprestar o dinheiro da matrícula o quanto antes.

Devo fazer isso?

Não só o Dr. Ettman, mas também a Duquesa-viúva Herhardt e Claudine haviam se oferecido para cobrir a matrícula. A cozinheira Mona também havia passado pela cabana naquela manhã. Havia consolado Layla e Bill com carinho, dizendo que os funcionários de Arvis estavam prontos para levantar o dinheiro da matrícula eles mesmos se o ladrão não fosse pego.

Layla sentia gratidão por todos que haviam feito esses tipos de ofertas, mas a gentileza deles pesava no coração.

Enquanto soltava um suspiro fundo, o sino da porta tilintou de novo.

Mais uma vez, levantou-se da cadeira de um salto.

— Boa tarde, senhora Ettman — disse, sorrindo educadamente e inclinando a cabeça.

Desta vez era realmente a Senhora Ettman.