Tradução: Amme
Capítulo 36
E Daí?
Hessen entrou no escritório pouco depois de o assistente de Matthias ter saído.
— O senhor me chamou, Vossa Graça?
— O que aconteceu com o ladrão que roubou o dinheiro do Bill Remmer? — perguntou Matthias. Ainda havia traços de riso na voz.
— Os policiais vasculharam o local, mas até agora não conseguiram encontrar nenhuma evidência ou testemunha ocular.
— E quanto à matrícula de Layla Llewellyn?
— A Duquesa-viúva Herhardt disse que pretende cobrir os custos da matrícula se o ladrão não for pego, e a Lady Claudine disse que sente o mesmo. O Dr. Ettman também está disposto a cobrir os custos, como estava desde o início.
Era a resposta que Matthias esperava. Assentiu, depois voltou a dar uma risadinha e baixou os olhos para a pasta.
Linda Ettman era a mente por trás do roubo. Havia chegado a essa conclusão com base nas informações contidas no dossiê sobre aquele homem tolo que havia encontrado na manhã do incidente. Na superfície, a Senhora Ettman havia parecido ter aceito a escolha de parceira matrimonial do filho. Mas parecia que em segredo era muito mais ameaçadora e tenaz do que aparentava.
Claro que a verdadeira natureza do coração dela não lhe interessava.
O que lhe interessava era Layla Llewellyn, que não sabia de nada mas agia como se soubesse de tudo. Será que devo começar a chamá-la de tola?
Interpretando o silêncio de Matthias como oposição, Hessen começou a dizer:
— Se por acaso o senhor sentir de forma diferente, Vossa Graça —
— Não — disse Matthias, cortando-o. — Respeito os desejos da minha avó. Não me oponho.
Ao dar aquela resposta, Matthias tinha certeza de que Linda Ettman havia considerado essas possibilidades ao planejar o esquema.
O peão que havia contratado pode ter sido de pouco destaque, mas o plano como um todo era cuidadoso e sistemático. Ela certamente sabia que havia muitas pessoas que se adiantariam para cobrir o custo da matrícula, incluindo o próprio marido.
Então qual era seu objetivo real? Esfregando o queixo, Matthias se perdeu nos próprios pensamentos. Se Linda sabia que tirar o dinheiro da matrícula não impediria Layla e Kyle de irem para a faculdade juntos, qual era o sentido de causar todo aquele alvoroço?
Um sorriso sombrio se abriu no rosto de Matthias. Sentia-se como se estivesse tentando resolver um quebra-cabeça fascinante.
— Mande alguém seguir a Senhora Ettman — disse a Hessen, cruzando as pernas. Já não ria mais, mas a voz soava gentil.
— A Senhora Ettman? A esposa do Dr. Ettman, o médico da família?
— Isso. Linda Ettman. A esposa do médico.
O tom extremamente casual da resposta de Matthias deixou Hessen ainda mais desconcertado.
— Há uma coisa que preciso que me relatem — disse Matthias, sorrindo suavemente enquanto recostava o corpo cansado no sofá. — Preciso saber se a Senhora Ettman encontrar Layla Llewellyn sozinha, e se isso acontecer, preciso saber o que conversarem.
A polícia voltou a Arvis na manhã seguinte. Em vez de ir direto à cabana, desta vez foram primeiro à mansão.
Por coincidência, Matthias estava descendo a escadaria do salão principal justamente quando chegaram.
— Bom dia, Vossa Graça. Lamento incomodá-lo com uma visita nessa hora — disse o homem de cabelos grisalhos que liderava o grupo de policiais.
Matthias parou no centro do salão. Claudine e os assistentes pararam alguns passos atrás.
Hessen se aproximou de Matthias e sussurrou:
— Querem continuar a busca por testemunhas oculares.
Matthias assentiu prontamente.
— Claro. Façam o que for necessário.
— Obrigado, Vossa Graça — disse o oficial à frente, inclinando a cabeça com cortesia. Imediatamente, todos os oficiais mais jovens atrás dele se inclinaram também.
Quando Matthias estava prestes a continuar o caminho, o oficial grisalho se aproximou e disse:
— A propósito, Vossa Graça...
Matthias virou a cabeça e o olhou com um rosto calmo.
Depois de um momento de hesitação, o oficial perguntou:
— O senhor chegou a ver algum desconhecido na propriedade na manhã do incidente?
Matthias se virou devagar para encará-lo.
Vi sim, pensou — mas em vez de dizer isso, simplesmente esboçou um sorriso gracioso. Considerou o que poderia fazer por Layla. Deveria revelar o esquema da Senhora Ettman de bloquear o casamento do filho explorando o primo desesperado?
Enquanto Linda tivesse feito apenas isso contra Layla, ainda seria possível impedir que o pior acontecesse. Provavelmente haveria um alvoroço, mas logo se dissiparia. E como o Dr. Ettman e o filho eram tão determinados, Matthias tinha certeza de que o casamento acabaria acontecendo. Nesse ponto, a Senhora Ettman certamente desistiria.
E então... Matthias ergueu devagar os olhos para as luzes do lustre. Então, tendo recebido um golpe de sorte único na vida, Layla viveria feliz para sempre.
Como ela e o filho do médico se mudariam para Ratse depois do casamento, a Senhora Ettman não conseguiria se meter na vida dos dois com muita facilidade. O filho do médico se tornaria um marido amoroso e dedicado, e Layla poderia se dedicar aos estudos tanto quanto quisesse. Era bastante inteligente, então talvez se tornasse até uma estudiosa renomada.
Matthias deslocou o olhar das luzes do lustre para o brasão da família além delas.
Claro que poderia encontrar uma solução ainda melhor, se estivesse disposto a se dar ao trabalho. Poderia se reunir com Linda Ettman antes de ela encontrar Layla. Quando dissesse a ela que havia desvendado todo o plano, ela desistiria em silêncio, na esperança de preservar algum resquício de dignidade.
Sim. Isso também minimizaria a dor que Layla teria de suportar.
Voltou o olhar para o policial, que parecia nervoso, talvez interpretando o silêncio como uma repreensão pela indelicadeza anterior.
Matthias sabia muito bem o que tornaria Layla feliz. E fazer aquilo por ela seria tão simples quanto um estalar de dedos para ele.
E daí? O sorriso voltou aos lábios. Como a sua felicidade vai me ajudar, Layla? Só vou ficar com um monte de rosas floridas e sem Layla. Isso seria uma rachadura na minha vida perfeita.
Olhando novamente para o oficial, respondeu com frieza:
— Não, não vi nenhum desconhecido.
Os funcionários de Arvis que estavam por perto soltaram um suspiro de alívio.
— Entendo. Bem, obrigado pela compreensão e cooperação, Vossa Graça. Lamento ter ocupado seu tempo assim, mas é importante ser minucioso.
Matthias assentiu.
Encorajado pela atitude cooperativa de Matthias, o oficial se voltou também para Claudine.
— A senhorita viu alguma pessoa desconhecida naquela manhã?
— Não — respondeu ela prontamente. — Infelizmente também não tenho nenhuma informação útil para o senhor. — Lançou um olhar a Matthias antes de sorrir para o oficial.
Matthias continuou o caminho, encerrando a situação tensa. O oficial foi interrogar os funcionários, enquanto Matthias saiu e entrou no carro que aguardava na frente.
Claudine se aproximou da janela do carro e perguntou:
— Não esqueceu dos nossos planos, pois não?
Tomariam chá juntos e depois se encontrariam com Riette para jantar.
— Claro que não, Lady Claudine.
Ela sorriu satisfeita com a resposta.
O carro partiu imediatamente. Enquanto deixava a propriedade e passava pela estrada que levava à casa do médico, ele olhou pela janela em silêncio.
Queria dar à Linda mais diversão do que ela havia esperado. Seria um pagamento justo por toda a ajuda e a paciência dela.
Linda colocou um vestido de lavanda respeitável. Havia se maquiado pouco, e o chapéu que escolheu era elegante mas simples. Tentava alcançar o equilíbrio certo para não parecer nem extravagante nem desleixada. Depois de verificar mais uma vez a aparência no espelho, saiu do quarto com calma.
Havia decidido ir a pé e de diligência em vez de usar a carruagem da família naquele dia. Queria estar em algum lugar longe de olhos indiscretos. Com isso em mente, havia passado pessoalmente pela cabana para convidar Layla, e havia escolhido o local do encontro com cuidado também.
Enquanto esperava na parada da diligência, começou a se perguntar se realmente deveria levar o plano adiante. Bem, já comecei. Não há como voltar atrás agora. Preciso ir até o fim. Pelo Kyle.
Enquanto se enchia de determinação, a diligência chegou. Soltou um suspiro silencioso e entrou. Estava disposta a fazer qualquer coisa pelo Kyle.
Mesmo que significasse se tornar uma vilã.
A salão de chá para onde a Senhora Ettman havia convidado Layla ficava em uma rua pequena, a uma distância razoável do centro da cidade. Tendo chegado cedo, Layla sentou-se a uma mesa perto da janela, esperando pela Senhora Ettman.
A rua lá fora parecia estreita demais até para uma carruagem passar. Do outro lado havia prédios de tijolos cobertos de hera e musgo, incluindo algumas lojas antigas e surradas.
O próprio salão de chá era igualmente simples. O toldo e a pintura da vitrine estavam rachados e desbotados, e as toalhas de mesa tinham manchas de chá. Não parecia o tipo de lugar que a Senhora Ettman apreciaria.
Então por que o havia escolhido?
Layla estava intrigada, mas decidiu não pensar demais. Sabia que isso só a deixaria mais ansiosa e nervosa. Já havia estado tensa desde o roubo, e não queria aumentar as preocupações.
Ela provavelmente só queria um lugar menos movimentado onde pudéssemos conversar sem distrações. Tenho certeza de que tem muito a discutir, e...
Seus pensamentos foram interrompidos pelo tilintar do sino da porta quando alguém entrou no salão de chá. Pensando que era a Senhora Ettman, levantou-se de um salto — mas viu que era um jovem cavalheiro elegantemente vestido com um chapéu fedora. Sentou-se a uma mesa do outro lado do salão e abriu um jornal.
Ela voltou a se sentar e ficou olhando para as manchas de chá na toalha de mesa.
Havia ido novamente à delegacia naquele dia, mas não havia nada de novo a relatar. Disseram que como não havia testemunhas nem evidências, seria difícil pegar o ladrão. Um dos policiais, olhando para ela com pena, lhe dera um conselho — disse que em vez de se agarrar a esperanças vazias, seria melhor encontrar alguém que pudesse emprestar o dinheiro da matrícula o quanto antes.
Devo fazer isso?
Não só o Dr. Ettman, mas também a Duquesa-viúva Herhardt e Claudine haviam se oferecido para cobrir a matrícula. A cozinheira Mona também havia passado pela cabana naquela manhã. Havia consolado Layla e Bill com carinho, dizendo que os funcionários de Arvis estavam prontos para levantar o dinheiro da matrícula eles mesmos se o ladrão não fosse pego.
Layla sentia gratidão por todos que haviam feito esses tipos de ofertas, mas a gentileza deles pesava no coração.
Enquanto soltava um suspiro fundo, o sino da porta tilintou de novo.
Mais uma vez, levantou-se da cadeira de um salto.
— Boa tarde, senhora Ettman — disse, sorrindo educadamente e inclinando a cabeça.
Desta vez era realmente a Senhora Ettman.
