Chore, Melhor Ainda se Implorar [Novel]

Após perder os pais aos 12 anos, Layla Llewellyn é passada de um parente indiferente para outro, até ser enviada para outro país. Ao chegar ao Império de Berg, ela fica sob os cuidados de Bill Remmer, um parente distante e ranzinza que parece não se importar com nada além do seu trabalho como jardineiro da renomada família Herhardt. Depois de anos de negligência, tudo o que Layla deseja é um lugar para chamar de lar, mas seus encontros com o charmoso Duque Matthias von Herhardt e o restante da alta sociedade trazem provações e tribulações para a jovem de coração terno.

Capítulo 13 - Noite de Luar

Capítulo 13 - Noite de Luar

Tradução: Amme

Capítulo 13

Noite de Luar


Diferentemente do dia em que saíra da cabana furiosa, Layla se apresentou desta vez com o ar de uma dama serena e elegante. Recostado no sofá, Matthias a contemplou.

— Minhas sinceras desculpas por irromper assim, Vossa Graça — disse ela com hesitação, mantendo a cabeça baixa para evitar o olhar dele.

As pestanas longas e fartas tornavam os olhos baixos ainda mais expressivos. Depois de lamber os lábios nervosamente por um instante, continuou:

— Me desculpe, mas gostaria de lhe perguntar uma coisa.

Naquele momento, o telefone começou a tocar.

Matthias se levantou do assento com vagar e passou por Layla, que se sobressaltou, para atender ao telefone. Parecia ser uma ligação de negócios a respeito de alguma questão contratual complexa.

Ainda um pouco assustada, Layla observou Matthias conduzir a conversa com habilidade. Pelo tom de voz tranquilo e ao mesmo tempo autoritário, e pelas breves intervenções educadas que fazia de tempos em tempos, ficava claro que seu poder e sua dignidade lhe permitiam dominar o interlocutor sem o menor esforço. Layla sentia que estava diante do Duque Herhardt perfeito de quem os moradores de Karlsbar tanto falavam. O que fazia sua suspeita de que ele havia roubado os óculos soar completamente ridícula.

Não sei nem por que vim aqui. Não pode ter sido ele... Então foi mesmo um corvo? Enquanto contava mentalmente quantos ninhos de corvo havia na floresta, se despediu em silêncio do duque, que ainda estava ao telefone.

Para sua surpresa, ele se virou para ela e, cobrindo o bocal com a mão, disse:

— Espere.

Aquele breve comando soou como se viesse de uma pessoa completamente diferente do Duque Herhardt perfeito de um instante atrás. Layla ficou paralisada, sem jeito. Em seguida, ele retomou a ligação como se nada tivesse acontecido.

Observando-o, Layla teve outra percepção: mesmo nas conversas mais animadas, os olhos dele permaneciam serenos. Continuavam praticamente iguais mesmo quando sorria. A postura, porém, era sempre graciosa e ereta. Mesmo que o interlocutor não pudesse vê-lo, jamais se encurvava.

Era, ao que parecia, um hábito profundamente enraizado.

A ligação durou mais alguns minutos. Ao terminar, ele foi até a mesa e anotou algo. Layla escondeu as mãos inquietas atrás das costas. Quando começava a se perguntar se ele se esquecera de que ela estava ali, Matthias finalmente virou-se para ela e disse:

— Pode falar.

— Como?

— Pergunte o que veio perguntar.

A intensidade do olhar dele a fez baixar levemente os olhos.

— Ah... bem, é sobre meus óculos. Queria saber se o senhor os viu no cais... no dia em que pulei no rio.

— Hmm... não me parece que os vi... — Levantou-se devagar e se aproximou. — Mas acho que os escondi.

— Eu... como? O quê? — Ela o encarou, chocada. — Vossa Graça escondeu mesmo meus óculos?

— O que você acha?

— Acho que o senhor não faria isso — respondeu ela, franzindo levemente a testa.

— Por quê? — perguntou ele, inclinando a cabeça com diversão, agitando levemente a franja tão negra quanto as penas de um corvo.

— Porque... isso seria uma crueldade, Vossa Graça — respondeu ela, fincando os pés no chão em vez de recuar. Havia vasculhado incontáveis ninhos de corvos com Kyle antes de finalmente reunir coragem para vir até ali.

Por mais que não gostasse do duque, ao menos conseguia se comunicar com ele, ao contrário dos corvos. Parecera sensato falar com ele para descartar um dos dois suspeitos. Agora, porém, já não tinha tanta certeza disso. Se o Duque Herhardt ia fazer afirmações enigmáticas que só aumentavam a confusão, talvez comunicar-se com ele fosse tão impossível quanto com um corvo.

Os dois se fitaram por um longo momento. Se o mordomo não tivesse voltado com um telegrama urgente e um envelope, aquele momento poderia ter durado bem mais.

Levemente corada, Layla se afastou e foi até a janela.

Após uma troca demorada e silenciosa com o mordomo, Matthias lançou um olhar de soslaio na direção de Layla. Sem os óculos, não tinha como ter certeza, mas os lábios vermelhos dele pareciam esboçar um sorriso. Reunindo toda a coragem que lhe restava, ela começou a falar:

— Eu...

Matthias, porém, a interrompeu imediatamente, apontando para a porta com o queixo. Era um gesto simples e frio que comunicava sem palavras que o tempo dela na cabana havia chegado ao fim.



— Um pássaro? Desde quando você tem um passatempo tão inusitado? — perguntou Riette, olhando para a gaiola com uma expressão entre curiosa e divertida.

Dentro da bela gaiola dourada havia um pássaro igualmente belo, de plumagem amarelo-dourada.

— Está criando para depois caçar?

Todos os presentes na sala de estar da suíte principal riram da piada de Riette. Matthias também deu uma risadinha discreta. Como de costume, não respondeu. Enquanto Riette fazia mais alguns comentários espirituosos, algumas criadas entraram com champanhe.

Um banquete havia sido servido para celebrar o reencontro dos parentes que passavam o verão juntos. Ao fim da refeição, os presentes se dividiram naturalmente em grupos por idade para conversar. O grupo de Matthias, Riette e Claudine havia ficado na sala de estar da suíte principal. Claudine pedira isso especialmente a Matthias, chegando até a usar tom mimoso para convencê-lo. O fato de ele ter concedido acesso a um espaço que normalmente guardava estritamente para si demonstrava o quanto era generoso com a noiva.

Entre amigos próximos e familiares, o noivado de Matthias e Claudine já era considerado confirmado há muito tempo.

Todos sabiam que a Condessa Brandt vinha a Arvis todo ano com a única filha, e que a família Herhardt sempre as recebia com muito calor. As peças do quebra-cabeça já haviam sido montadas por todos, portanto o anúncio do noivado não surpreendeu ninguém. O que causaria espanto seria Matthias escolher outra pessoa como sua futura duquesa.

Quando o pássaro saiu voando pela porta aberta da gaiola e pousou no ombro de Matthias, Riette explodiu em risadas.

— Acho que esse pássaro não sabe com que tipo de pessoa está lidando — comentou. — Um pássaro apaixonado por um caçador de aves experiente? Não sei se chamo de ingênuo ou de digno de pena.

Matthias estendeu a mão, e o pássaro imediatamente saltou para o dedo.

— Claudine, o que você acha? — perguntou Riette. Todos os olhares se voltaram para ela.

— Bem, não sei — respondeu ela, olhando para o pássaro que cantava no dedo de Matthias. — Por que não chamar de ingênuo e digno de pena ao mesmo tempo?

A solução proposta por Claudine arrancou mais uma rodada de gargalhadas do grupo.

O ambiente na sala era caloroso e íntimo, pois fazia muito tempo que não estavam todos juntos assim. Os nomes conhecidos, o mundo compartilhado, os interesses em comum — tudo contribuía para aquele riso coletivo.

Contemplando o rosto de Matthias enquanto ele olhava para o pássaro, Claudine perguntou com afeto:

— Esse pássaro, tem nome? Se ainda não tiver, posso dar um?

— Não valeria o seu esforço, milady — respondeu Matthias, virando a cabeça na direção de Claudine. A expressão era quase a mesma de antes, mas um sorriso tênue lhe conferia um toque de calor. — Um pássaro é apenas um pássaro. — As palavras frias contrastavam com a canção alegre do bicho e com o calor do sorriso.

— Pois é, ingênuo e digno de pena mesmo — disse Riette, estalando a língua enquanto olhava para o pássaro com compaixão. — Ama um caçador que nem ao menos lhe permite ter um nome!



O grupo seguiu bebendo champanhe e rindo animadamente até tarde da noite, quando finalmente se dispersou.

Roçando pelas criadas que arrumavam a sala de estar, Matthias saiu para um passeio noturno a sós. O rosto, que já não sorria, estava tão impassível quanto a noite. Era hora de verificar a armadilha que havia preparado. Sabia que ela não era tola e que devia ter percebido — e provavelmente não havia desistido. Portanto, provavelmente havia caído na armadilha.

Raciocinou assim enquanto atravessava o jardim de rosas e entrava na floresta. O vento foi esfriando conforme se aproximava do rio. Saiu da floresta e parou diante da cabana à beira do rio. A lua brilhava com uma luz clara e branca.

Entrou na sala de estar da cabana e abriu a gaveta do aparador. Os óculos ali dentro cintilavam ao luar. Recolheu-os com a mesma delicadeza com que segurava o canário e se recostou languidamente no sofá.

O que estou tentando capturar com essa isca?, perguntou-se, contemplando os óculos brilhantes. Nenhuma resposta lhe vinha, mas isso não o incomodava. Saberei a resposta quando ela cair na armadilha.

Enquanto jogava os óculos para cima e os apanhava repetidamente, a noite de luar foi se aprofundando.



Era uma loucura. Layla tinha plena consciência disso. Nenhuma pessoa em sã consciência ousaria se infiltrar na cabana do duque.

— Pronto, é melhor eu dormir.

Parou de andar de um lado para o outro no quarto e se jogou na cama.

Puxou o cobertor fino e fechou os olhos com força.

— Mas meus óculos...

Por mais que tentasse, o sono não vinha.

O duque havia escondido seus óculos. Agora tinha certeza disso. Não fazia ideia do porquê, mas ele definitivamente havia escondido. Portanto, precisava encontrá-los.

Com determinação renovada, saltou da cama outra vez. Duvidava muito que ele tivesse levado os óculos até a mansão, portanto deviam estar em algum lugar da cabana.

Era um lugar isolado, e já passava da meia-noite. Pareceu que estaria tudo bem, desde que fosse rápida e não deixasse rastros. A lua estava brilhando forte, por isso não seria tão assustador lá fora no escuro.

— Vai ficar tudo bem — murmurou para si mesma para reforçar a coragem, abrindo a porta do quarto.

A cabana silenciosa estava completamente às escuras. O único som era o ronco de Bill no quarto dele. Pegou o xale de renda pendurado perto da porta e saiu apressada. Cada vez que sentia vontade de voltar, pensava nas incontáveis horas que havia passado colhendo framboesas e mexendo geleia para juntar dinheiro para os óculos.

— São meus óculos, afinal — murmurou para diminuir a ansiedade que começou a sentir quando o Rio Schulter apareceu ao longe, cintilando ao luar.

Acelerou o passo, e os cabelos louros e macios que caíam abaixo da cintura balançavam a cada passada. Quanto mais pensava no duque, mais estranha ele lhe parecia. Ao caminhar pelo cais ao lado da cabana, um pensamento repentino lhe ocorreu: Será que ele é atraído por objetos brilhantes, como os corvos?

Com suspeitas e preocupações assim a ocupar a mente, chegou à cabana onde seus óculos estavam escondidos. Só então percebeu que havia chegado até ali de camisola. Não se preocupou muito com isso, porém — era madrugada e não haveria ninguém para vê-la.

Após um último momento de hesitação, respirou fundo e avançou com decisão.



Como esperado.

Mais uma vez, o comportamento de Layla Llewellyn não havia fugido das previsões de Matthias.

Ao ouvir os passos dela subindo a escada externa, diminuiu a respiração. Houve uma longa pausa enquanto ela hesitava do lado de fora da porta. Embora a tivesse deixado destrancada para facilitar a entrada, ela acabou abrindo a janela do corredor. Nunca fugia completamente das suas expectativas, mas sempre o surpreendia com pequenos desvios assim.

Ela entrou pela janela. Matthias permaneceu deitado no sofá, aguçando os ouvidos para rastrear seus passos. Ouviu o assoalho do corredor ranger discretamente, depois ouviu Layla soltar um suspiro de alívio.

Com um sorriso, desviou os olhos do teto. Pouco depois, Layla entrou na sala de estar. Ficou completamente imóvel por um instante, examinando o ambiente ao redor, depois avançou alguns passos cautelosos. Começou a inspecionar a área em volta de uma das janelas.

Como os olhos de Matthias já estavam adaptados ao escuro, não teve dificuldade em distinguir sua silhueta. O luar que entrava pela janela a iluminava fracamente onde estava, em frente à mesa.

Enquanto semicerrava os olhos para vê-la melhor, ela se deslocou para o próximo ponto — o armário. A cada passo cauteloso que dava na ponta dos pés, a saia da camisola balançava em torno das pernas esguias. O luar atravessava a fina peça branca que ela vestia, desenhando sua silhueta por baixo do tecido.

O que estou tentando capturar com essa isca?

Matthias acariciou a armação dos óculos que segurava. A superfície lisa e fria lhe trouxe uma sensação de clareza mental.

Enquanto isso, Layla havia se posicionado em frente ao aparador do outro lado do sofá onde ele estava deitado. Voltou o olhar e viu as costas dela banhadas pelo luar.

Aquela mulher.

Finalmente compreendeu a razão pela qual havia armado aquela armadilha. Era para ter Layla — aquela mulher que já não era mais uma menina.

— Está procurando isto? — perguntou, balançando os óculos na mão com suavidade.

Layla, que estava no meio do gesto de abrir a gaveta do aparador, virou-se de repente, surpresa, e recuou tropeçando, com a mão trêmula sobre a boca. Vai bater na parede, pensou Matthias. Em seguida, levantou-se devagar até sentar no sofá, e o luar iluminou seu rosto.

Os dois se encararam sob a luz clara da lua.