Casamento Predatório [Novel]

A Princesa Leah escreveu uma nota de su*cídio antes de seu casamento. Foi porque ela tinha certeza de que morreria após a noite de núpcias; um fim miserável para uma princesa que dedicou sua vida ao país e à família real. Mas antes de desistir de sua vida, Leah planejou sua última vingança para a família, uma que certamente os deixaria em ruínas mesmo depois que ela se tornasse um cadáver frio. Ela os envergonharia por ser uma noiva não virgem. "Por que você jogou fora sua primeira experiência? Você não quer apenas fugir?" "Eu... eu quero morrer." Leah impulsivamente confidenciou ao homem com quem dormiu por uma noite.

Capítulo 219

Capítulo 219

O dia de Leah começou como sempre naquela mansão. Levantou cedo e foi trabalhar em seu escritório, tratando de algumas tarefas urgentes. O fato de não estar no palácio limitava suas ações. Na hora certa, almoçou sob o olhar atento de suas damas de companhia e tomou, obedientemente, o chá que Cerdina mandara. A cada gole, sentia como se estivesse engolindo veneno, mas persistiu, determinada.

Assistiu ao pôr do sol. Ele tingiu o pomar de vermelho até desaparecer atrás das montanhas a oeste, e então a escuridão envolveu toda a mansão. Diferentemente do palácio, iluminado por lamparinas até altas horas, o pomar estava envolto em sombras silenciosas.

Assim que o sol se pôs, Leah ficou de olho na janela. O homem que esperava sempre aparecia quando menos esperava.

Ela se perguntava se ele entraria pela janela novamente, ou talvez por outro caminho. Esperá-lo não era entediante. Era divertido imaginar como seria sua chegada. De propósito, deixou a janela destrancada, com medo de obstruir sua entrada.

Sozinha no quarto, ansiava pela noite como uma criança esperando um presente. Não conseguia controlar a excitação. Tentou ler um livro, mas seus olhos insistiam em ir para a janela. Quando não aguentou mais, foi até lá e ficou observando a escuridão por um longo tempo.

Lia sob a luz de uma pequena lamparina quando sentiu um arrepio percorrer suas costas. Leah pousou o livro.

“……”

Erguendo a lamparina da escrivaninha, aproximou-se da porta, sua sombra se estendendo longamente atrás dela. Lá fora, silêncio. Não conseguia ouvir nada, nem os passos de suas damas nem o murmúrio dos cavaleiros. Parecia que todos tinham ido dormir.

De repente, um mau pressentimento, um medo instintivo, a invadiu. Quis ir verificar, mas ao girar a maçaneta, a porta estava trancada. Suas damas a trancavam em seu quarto todas as noites para impedi-la de sair. Enquanto estava ali, parada diante da porta, ouviu vozes.

—Procurem por ela.

—Ela deve estar no segundo andar.

Assustada, virou-se. Aquelas não eram as vozes de suas damas ou dos cavaleiros. Rapidamente, foi até sua escrivaninha, pousou a lamparina e pegou um abridor de cartas fino e afiado. Olhando rapidamente pela sala, viu apenas alguns lugares para se esconder: embaixo da cama, no armário ou debaixo da escrivaninha. Seria encontrada rapidamente.

Não havia ninguém para pedir ajuda. Teria que se proteger sozinha. Nervosamente, abriu a janela.

Abaixo da janela havia uma estreita soleira, com espaço apenas para as pontas dos pés. Mas se se agarrasse à moldura da janela, poderia ficar ali por um bom tempo. Com a fina faca na boca, apoiou o pé na soleira.

“……!”

Olhos dourados a fitavam das sombras. Depois de um momento, ela lentamente tirou a faca da boca e a colocou na soleira da janela.

Ishakan estendeu os braços para ela sem dizer uma palavra.

Ele a pegaria se ela pulasse. Que estranho confiar tanto naquele homem.

Era uma longa distância do quarto do segundo andar até o chão, mas ela não sentia medo. Não tinha dúvidas de que ele a pegaria. Leah saltou da soleira, seus cabelos prateados esvoaçando atrás dela, e os braços de Ishakan a envolveram com destreza, no momento exato.

A respiração estava ofegante e ela abriu a boca para dizer que deveriam ir, que havia estranhos na casa, mas não conseguiu. Estava assustada, mas seus olhos dourados estavam absolutamente calmos. Seria absurdo pedir a esse homem para fugir. A ideia de fuga era anátema para ele. Leah apertou os lábios.

—Você me surpreende de tantas maneiras — disse Ishakan, erguendo uma sobrancelha.

Pela janela aberta, ela podia ouvir o som da porta de seu quarto sendo arrombada. Um momento depois, gritos e impropérios de muitas vozes masculinas. Segurando-a em seus braços, ele olhou para ela, brilhando ao luar.

—Vim ajudá-la.